Chegamos mais cedo do que o resto dos comitês e começamos adiantando o Box da última sessão que havia acontecido no dia anterior. Passados uns 15 minutos, fomos retiradas da sala de imprensa, pois segundo o que foi dito, nós só poderíamos entrar no horário estipulado para todos. Após um leve sentimento de revolta em função da sensação de que não conseguiríamos cumprir a meta de escrever um Box e duas reportagens, nós deixamos o stress de lado, já que nada poderia ser feito. Entramos depois de mais alguns minutos, juntamente com todos os outros membros dos comitês. Terminamos o Box baseado na discussão feita pelos delegados em torno da questão da União Africana, que foi muito interessante por sinal, e complementamos com a entrevista que fizemos ontem com os delegados. O Box deveria necessariamente ser composto por 2 parágrafos de 4 linhas, de forma que escrever uma sessão inteira de mais de 2 horas nesse espaço curtíssimo foi um desafio, que para nós foi praticamente ‘impossível’ cumprir. Recebemos as pautas das próximas reportagens e Thamires foi assistir a primeira sessão, enquanto a Kaline esboçava o artigo. Durante a sessão, foi interessante notar que, ao mesmo tempo, havia delegados com uma argumentação extremamente concisa e positiva e que se destacaram, porém muitos dos que lá estavam acabaram por ‘bater na mesma tecla’ dos assuntos tratados no dia anterior, fazendo com que a discussão beirasse o tédio. Falou-se muito sobre propostas desenvolvimentistas, fazer dos campos de refugiados ‘mini cidades’ esquecendo-se de que, como criticamos no nosso jornal, os refugiados africanos ESTÃO refugiados, não SÃO refugiados, uma prova de que muita das visões lá abordadas eram de senso comum, recheadas de ‘frases manjadas’. Assim como no dia anterior, alguns delegados se contradisseram a cada fala – e às vezes a contradição era tão gritante que dava vontade de interromper, mas infelizmente os jornalistas não podem falar um ‘a’ ou fazer qualquer movimento impulsivo deste tipo. Terminamos a primeira matéria 5 minutos antes do fim da sessão, e nós duas, corremos atrás de pessoas do nosso comitê para obter informações. Nenhum deles se disponibilizaram naquele momento, mas conseguimos questionar a delegada do Chade sobre o que ela achou do nosso jornal do dia anterior. A resposta foi uma crítica à ‘agressividade’ com que ele foi escrito, o que foi uma surpresa para nós, já que ela havia sido elogiada no artigo. Almoçamos um pão de queijo, e, como tínhamos que esperar para abrir a passagem para os comitês, fomos conversar de forma breve com o delegado da Guatemala – uma pessoa muito peculiar - perguntando-o sobre o tráfico de armas, que deveria ser nossa pauta da segunda reportagem, mas que no fim, não foi. Entramos para o comitê de imprensa e depois de um tempo, Thamires foi cobrir o que estava sendo discutido na segunda sessão. O assunto não era muito diferente do tratado na primeira, as propostas estavam sendo pouco apresentadas pelos delegados, falava-se muito, mas dialogava-se pouco sobre o que realmente importava. Cada país corria atrás de seu próprio rabo, como diz a Kaline, e todos se esqueciam que não se tratava do que eles têm ou não têm para “doar” para a África, mas sim o que fazer para que a África não precise de doações, fazendo com que a discussão não saia do lugar. Entrevistamos em uma rápida pausa, a delegada dos EUA, que demonstrou, de forma sutil ao expressar suas opiniões que ela estava atuando quando defendia os ideais americanos, os quais ela não concordava e dizia as coisas pelo posicionamento do país no cenário mundial, o que para nós esclareceu algumas posturas durante as discussões. Porém, quando estávamos quase acabando a segunda matéria, nosso comitê entrou em “crise” (acontecimento bombástico em alguma parte do mundo que de alguma forma irá afetar muitos países e que adia a discussão dos temas da agenda internacional, fazendo com que o debate seja sobre o fato) em função de um fictício conflito entre a Geórgia e os grupos separatistas da Ossétia, que geraram como resultado a explosão de uma bomba que matou um importante ministro. A bomba gerou tensão, e estimulou a saída dos civis da região, que foram para outras áreas como refugiados, conseqüência que trouxe a necessidade de participação do nosso comitê. Até aí, tudo bem. No entanto, os jornalistas não podem ficar durante a crise dentro da sala, mas nós precisávamos cobrir a crise e escrever sobre ela, sem poder a discussão. O desafio é esse, a imprensa precisa se virar para escrever sobre aquilo. As soluções que nós achamos foram práticas. Escutar atrás da porta, correr atrás dos delegados que iam ao banheiro (mesmo estes sendo protegidos por staffs) e a procura das secretárias e de alguns professores para nos esclarecerem a questão crucial do conflito presente nessa área, que foi o que deu margem para a criação do fato fictício (o falecimento do ministro). Conseguimos, sobre muita pressão, terminar o segundo artigo, descendo para um rápido cafezinho. Ao voltarmos, nos dividimos para cada uma assistir a um comitê diferente. Depois, conversamos mais com as pessoas do nosso comitê, conhecendo os jornalistas Thomaz, Jéssica, Lucas e conversando ainda mais com os que também cobrem o ACNUR, Yuri e Paula. Mas a novidade foi termos conversado com um menino do Washington Post, aluno do Santa Cruz, que quer estudar Filosofia e conversou bastante conosco, contando até como tinha sido a festinha do dia anterior, mencionando que havia aprendido a dançar. E nós pudemos constatar ao vivo, a dançinha que ele aprendeu. Ele era muito engraçado, muito mesmo. Recebemos nosso jornal, até que encontramos o staff Roberto, uma figura e tanto, estudante de administração e voluntário responsável pelo ACNUR. E mais uma vez, tentamos entrar no comitê. Nós realmente éramos chatas, e fomos perturbar os staffs e delegados do comitê. No fim da crise, que demorou absurdos para terminar no ACNUR, fomos falar com os delegados mais próximos de nós, mais especificadamente a da Venezuela, Estela, e o da África do Sul, Netto, esclarecendo muito sobre o que havia acontecido lá e inclusive permitindo a apropriação do documento aprovado. Foi bem legal, porém mais tenso que o de ontem. No entanto, possibitou maior aprendizado e com direito a muitas risadas. Como sempre, a nossa Diretora Geral Priscila e o voluntário Victor foram de uma ajuda enorme. A Priscila então, pelo apoio moral, já merece um agradecimento ultra especial. Fora essas pessoas, tivemos uma rápida conversa com o delegado da Argélia e a do Paquistão, que parecem ser pessoas interessante para trocar idéia. Ao nosso ver o dia de hoje proporcionou muito, mais muito conhecimento, empenho, esforço. Foi preciso muita força de vontade, mas acredito que nós superamos bem esses desafio.
quarta-feira, 6 de maio de 2009
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